acervo familiar |
A traça devora os anos
rendando as horas que voam.
E o tempo traça as histórias
que se arrastam epilépticas.
O vento contorna os espaços,
fazendo do perto, bem longe
e a traça, nos velhos baús,
burila caminhos vazados.
A música rouca se arrasta,
e, valsando no salão das lembranças
lá se vão tantos sois postos;
noites em breu e mormaço;
o vento empurrando estrelas.
Na rota que traça, a traça
vagões intermináveis se bordam.
No chão abandonado,
plantas bravas (re)brotam...
E lá, no vagão do tempo.
redemoinho perpétuo das horas,
bailam inóspitas senhoras:
as lembranças que a vida traça!
Erika Pók Ribeiro
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