quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Espelho oculto


Como  você me pinta,
nem me toca;
Você não tem a tinta exata
da minha medida.
O que de mim você palavreia
nem me acorda;
Você não sabe o sangue  que
derrama do meu versejar.
São tintas suas,
De um verso teu,
Que nunca 
Bebeu do néctar que leveda
em minha alma.
É das minhas vísceras
 que nascem singelos traços,
do amargo dormente,  que
me anila
e
ruboriza,
do centro aos pés.
Eu sou toda  marca em sangue
que me escapa,
Todo contorcionismo doloroso
que me expurga o riso,
Toda analgesia cronológica 
que me devolve os versos.
Eu sou um eu de mim.

Pók Ribeiro






Nenhum comentário:

Postar um comentário